Mudanças climáticas podem provocar perdas no Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 3,5 a R$ 8 bilhões por ano, estima pesquisa feita no Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG.  A tese de doutorado, de autoria de Tarik Tanure, ganhou o Prêmio Brasil de Economia de 2020, concedido pelo Conselho Federal de Economia.

A retração no PIB é uma das consequências das mudanças climáticas projetadas pelo estudo. O trabalho também mostra que o fenômeno pode agravar as desigualdades regionais e pôr em risco a segurança alimentar em alguns locais. Isso porque, como o Brasil é um país de dimensões continentais, as alterações no clima afetam a produtividade de forma desigual. Enquanto o Sul e o Sudeste, com exceção de Minas Gerais, devem ser beneficiados em razão da sua localização em uma latitude alta, as regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, em latitudes mais baixas, serão negativamente atingidas pelas mudanças climáticas. 

Com o objetivo de estimar o impacto das mudanças climáticas sobre a produtividade agrícola, o pesquisador analisou os efeitos do fenômeno sobre 21 cultivos da agricultura familiar e 21 da agricultura patronal em todos os estados brasileiros, utilizando modelos econômicos que consideraram, por exemplo, a maneira como o clima afeta historicamente a produtividade. O estudo levou em conta dois cenários projetados pelo IPCC, o Painel da ONU para Mudanças Climáticas. O mais otimista prevê elevação da temperatura em torno de 1,8º até 2100, e o pessimista, aumento de até 3,7º no mesmo período.